Alergias da Primavera
Fevereiro 27, 2017
0

Os pólenes estão aí. Mesmo que nos próximos dias acalmem com a chuva, se sofreu no passado não se limite a tomar anti-histamínicos. Mais vale prevenir e ir ao médico. Luís Delgado, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e médico no Hospital de S. João, e Susana Piedade, imunoalergologista da Cuf, respondem às dúvidas:

Quais são as alergias mais comuns nesta altura do ano?

O problema da Primavera para quem tem alergias é ser o pico da polinização na maioria das plantas mais alergénicas. Em Portugal as principais causas de alergia a pólen são as gramíneas, fenos. Estas começam a polinizar no início da Primavera e atingem o pico entre Maio e Junho. Também é frequente a alergia à erva parietária, do grupo das ervas daninhas e que tem um período de polinização que começa na Primavera mas em alguns pontos do país repete no início do Outono. Em relação aos pólenes das árvores, o mais alergénico é o da oliveira.
Como sei que estou a ter uma alergia?

A alergia aos pólenes e aos ácaros do pó da casa pode ter três manifestações. Pode afectar nariz e garganta e aí os sintomas mais comuns são a irritação, pingo no nariz e espirros. É chamada rinite alérgica. Pode afectar os olhos, com comichão e inflamação (conjuntivite alérgica). Pode ser também causa de asma, quando se manifesta com pieira, dificuldade em respirar e dor no peito. Muitas vezes surgem conjugadas. Susana Piedade explica que os sintomas de uma alergia distinguem-se de os de uma constipação porque, se não forem controlados, vão manter-se toda a época de polinização. Além de autolimitados, numa constipação os sintomas são homogéneos todo o dia e numa crise alérgica aumentam quando há maior exposição ao alergénio, no caso dos pólenes quando a pessoa está na rua.


É importante saber a que tipo de pólen sou alérgico?

Sim. Por um lado, é essencial para planear o tratamento. Se uma pessoa for alérgica a vários pólenes poderá precisar de uma prevenção mais ampla que inclua vacina contra os alergénicos a que é sensível. viagens.

Como sei os níveis de polinização?

A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica publica todas as semanas um boletim polínico detalhado por região. Pode ser consultado no site da SPAIC ou pode subscrever a newsletter para receber a informação no email.

 

Como funcionam as vacinas?

Podem ser injectáveis ou de administração sublingual, em gotas ou comprimidos. Vão expor o organismo ao pólen para aumentar o reconhecimento do mesmo e fazer com que o sistema imunológico não tenha uma resposta anti-inflamatória excessiva quando encontra o inimigo real. Devem feitas a partir de Outubro/Novembro, para que o sistema imunitário consiga tolerar melhor os alergénios na Primavera.

Já não vou a tempo de fazer a vacina. Vale a pena ir ao médico?

Mesmo que tome um anti-histamínico para aliviar os sintomas, se tem uma suspeita de alergia deve ir ao médico. “A maioria das pessoas chega muito tarde, já no fim da época quando além da congestão nasal desenvolveu problemas respiratórios.” Se já teve más experiências no passado, deve ir ao médico antes de os sintomas aparecerem. Os próximos dias, com chuva e temperaturas mais baixas, são uma boa altura para consultar um especialista para ter um plano de ataque.

 

Mas se já fui ao médico o ano passado, posso automedicar-me?

Os médicos aconselham uma consulta com um especialista uma vez por ano. Mas se já tem um guia escrito para SOS, pode segui-lo a menos que os sintomas agravem. Mesmo que lhe aconselhem um anti-histamínico, se tiver sintomas persistentes deve consultar o médico pois pode não ser o adequado e não garantir um controlo eficaz da doença.

Porque é que há dias particularmente difíceis?

Durante a época de polinização, as concentrações de pólen aumentam sobretudo nos dias quentes, secos e ventosos. Há maior risco de fragmentação dos pólenes, que pode fazer com que se depositem mais facilmente nas vias respiratórias.

 

Viver na cidade é pior para quem tem alergias?

Parece um paradoxo porque há menos vegetação mas é verdade. Os pólenes viajam muitos quilómetros e nas cidades encontram mais barreiras arquitectónicas como prédios que fazem com que se depositem na estrada e parapeitos, deixando as pessoas mais expostas.

Manter a casa arejada ajuda?

Por um lado é importante por causa do pó da casa, alergénio frequente. Mas no que toca aos pólenes é preciso cautela. “Como é um pau de dois gumes, o que recomendamos é que na Primavera se abram as janelas mais ao final do dia, quando os níveis de polinização são menores”, diz Luís Delgado.

 

O ar condicionado no trabalho é prejudicial para quem tem alergias?

O médico explica que a relação não é directa: não vai aumentar a exposição a pólenes ou ácaros. O que acontece é que uma pessoa com uma crise alérgica há alguns dias tem o aparelho respiratório inflamado o que a vai tornar mais sensível a mudanças na temperatura ou mesmo a cheiros, como o da zona das refeições ou o perfume de um colega. “Não agrava a alergia, aumenta é a sensação de desconforto.”

 

Há alguma dieta que ajude a suportar melhor as alergias da primavera?

Não existe nenhum alimento específico aconselhável a quem tem estas alergias mas Luís Delgado sublinha que alguns estudos têm demonstrado que a dieta mediterrânica parece estar associada a menos alergias ou mesmo a menor gravidade da asma do que a dieta ocidental típica, rica em gordura e açúcar. “É um comportamento que parece prevenir a incidência e gravidade.

 

Há outros cuidados que possa ter?

Um dos mais simples nestas alturas é usar óculos de sol. As plantas que habitualmente causam alergia são as que polinizam pelo vento, sobretudo as que libertam grãos microscópicos que muito provavelmente vão cruzar-se consigo na rua e podem desencadear uma crise.

 

A Clínica Ex vitam
A sua saúde é a nossa prioridade

Deixe uma resposta